Filmes por gênero

STROMBOLI (1950)

Stromboli
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Ficha Técnica

Outros Títulos: Stromboli, terre de Dieu (França)
Stromboli, terra di Dio (Itália)
Stromboli, tierra de Dios (Espanha)
Stromboli, ziemia Boga (Polônia)
Стромболи, земля Божья (União Soviética)
Pais: Itália
Gênero: Drama
Direção: Roberto Rossellini
Roteiro: Roberto Rossellini, Renzo Cesana, Sergio Amidei, Art Cohn
Produção: Roberto Rossellini
Música Original: Renzo Rossellini
Direção Musical: C. Bakaleinikoff
Fotografia: Otello Martelli
Edição: Jolanda Benvenuti, Roland Gross
Efeitos Sonoros: Eraldo Giordani, Terry Kellum
Nota: 8.6
Filme Assistido em: 1952

Elenco

Ingrid Bergman Karin
Mario Vitale Antonio
Renzo Cesana O Padre
Mario Sponzo O Homem do Farol
Gaetano Famularo O Homem com a Guitarra
Angelo Molino Criança
Roberto Onorati .

Prêmios

Sindicato dos Jornalistas Críticos de Cinema, Itália

Prêmio Fita de Prata de Melhor Atriz Estrangeira (Ingrid Bergman)

Prêmios Bambi, Alemanha

Prêmio Bambi de Melhor Atriz Internacional (Ingrid Bergman)

Indicações

Festival Internacional de Veneza, Itália

Prêmio Leão de Ouro (Roberto Rossellini)

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Ao final da 2ª Guerra Mundial, Karin é uma bela mulher que se encontra no Campo de Refugiados de Farfa, na Itália.  Antes da guerra, vivia com seu marido, um arquiteto, na Tchecoslováquia.  Com a invasão alemã, ficou viúva e fugiu para a Iugoslávia.  A chegada das tropas nazistas neste país, fez com que ela, utilizando-se de documentos falsificados, fugisse mais uma vez e entrasse na Itália de forma clandestina, onde foi presa pelas autoridades.

Falando fluentemente a língua inglesa, seu plano é o de conseguir asilo político na Argentina.  Enquanto aguarda a resposta desse país ao seu pedido de asilo, é cortejada, através de uma cerca de arame-farpado, por Antonio, um jovem pescador do sul da Itália e prisioneiro de guerra, prestes a ser libertado.  Embora mal consigam se comunicar, já que ela não fala italiano e ele mal arranha algumas palavras em inglês, o pescador apaixonado está disposto a tê-la como esposa, enquanto ela vê essa possibilidade apenas como uma alternativa para o caso de seu plano falhar.

O indeferimento de seu pedido de asilo pelas autoridades argentinas faz, portanto, com que ela se case com Antonio, mesmo sem sentir a menor afeição por ele.  Uma vez libertados, o casal viaja para a pequena, vulcânica e desolada ilha de Stromboli, localizada no Mar Tirreno, ao norte da Sicília.  No trajeto de barco entre Messina, na Sicília, e Stromboli, eles conhecem um outro ex-prisioneiro de guerra que também está voltando para a ilha, onde trabalha no farol.

A chegada ao local é uma grande decepção para Karin.  Além das poucas casas de seus habitantes, ela só vê devastação provocada pelas freqüentes erupções do vulcão que domina a pequena ilha.  Já não tendo qualquer afeição pelo marido, ela se sente como se tivesse saído de uma prisão e caído numa outra.  Para piorar a situação, é constantemente hostilizada pelas demais mulheres da ilha, por considerá-la uma estranha.

O padre do vilarejo tenta confortá-la, alegando que a atividade da pesca é lucrativa e que, se ela e o marido economizarem, dentro de algum tempo os dois poderão deixar a ilha para começarem uma vida nova em outro lugar.  Ele próprio poderá escrever para conterrâneos que se acham na América e na Austrália e verificar se os mesmos poderão ajudá-los.  Mesmo assim, sabendo que o sacerdote administra os bens de todos que moram fora, ela tenta seduzi-lo a fim de conseguir logo o dinheiro de que precisa para deixar o local.

Ao verificar que Antonio está se matando de trabalhar para pôr dinheiro pra dentro de casa, ela dá uma trégua ao marido e os dois passam a viver sem maiores conflitos, muito embora, ela continue a se sentir imensamente infeliz.  O tempo passa e ela termina engravidando.

Uma nova erupção do vulcão faz com que todo o vilarejo seja evacuado, obrigando seus habitantes a passarem quase 24 horas em seus pequenos barcos, afastados da costa.  Ao retornarem, Karin diz a Antonio que não vai esperar para ter seu filho naquele local sem recursos e que a está deixando louca.  Quando ele percebe que ela está decidida a fazer uma tolice, já que não tem meios para sair da ilha, ele a deixa trancada em casa, pregando todas as portas por fora com pedaços de madeira.

Por uma janela, ela grita e consegue ajuda do homem que trabalha no farol, abrindo a porta dos fundos.  Ela lhe diz que foi enjaulada pelo marido e que não pode continuar mais ali.  Usando de sua arte de seduzir, faz com que ele lhe prometa ajuda.  Entretanto, quando ele lhe diz que vai conseguir uma folga no farol para levá-la de barco à Ginostra, uma vila que fica do outro lado da ilha, ela lhe responde que gostaria de esperá-lo, mas que infelizmente não pode.  Assim, ela lhe pede ajuda em dinheiro, pois vai tentar chegar à Ginostra a pé, de onde poderá viajar para Messina em um barco a motor.  Ele lhe adverte que a caminhada é extremamente perigosa, pois terá que passar ao lado da cratera do vulcão, mas que, mesmo assim, vai dar o dinheiro que ela precisa.

No mesmo dia, Karin começa a subir a montanha, passando por pontos onde há desprendimentos de gases do vulcão.  Ao chegar ao seu topo, acha-se exausta para continuar a caminhada.  Adormece e, na manhã seguinte, depois de repassar sua vida e reconhecer os erros cometidos ao longo dela, suplica a Deus que lhe dê força e coragem para conseguir salvar seu filho inocente.

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Comentários

Embora inferior à "Roma, Cidade Aberta", e "Paisà", ambos de 1946, "Stromboli" é mais uma  grande realização do mestre do neo-realismo italiano, Roberto Rossellini.  Escrito, dirigido e produzido por ele, o filme narra o drama vivido por uma jovem e bela viúva lituana que, após se casar com um pescador italiano, vai morar numa pequena e árida ilha vulcânica do Mediterrâneo, onde passa a ser hostilizada pelas mulheres do vilarejo local.

Além dos magníficos trabalhos apresentados por Rossellini e Ingrid Bergman, o filme conta ainda com a bela fotografia em preto-e-branco de Otello Martelli e com o bom trabalho de edição, assinado por Yolanda Benvenuti.

Rossellini nos brinda com momentos memoráveis, como a inesquecível pesca de atum.  O cineasta é preciso na escolha das imagens, depois muito bem editadas, as quais além de fazerem parte da história, apresentam um certo simbolismo em relação à personagem vivida por Ingrid Bergman.  Uma outra seqüência marcada pela beleza é aquela em que todos os pescadores, reunidos, puxam uma rede repleta de peixes para dentro de um barco maior.  Essa seqüência me lembra os tempos de criança vividos na Praia de Amaralina, em Salvador, pois o ritual era o mesmo: a rede era puxada movida pelo ritmo dado pelo canto dos pescadores.  A única diferença era que, na Bahia, ela era puxada para a praia e não para um barco.  Merecem, ainda, ser mencionadas as cenas em que Karin tenta seduzir o padre e, depois, o homem do farol e, para terminar, mais um golpe de mestre de Rossellini, ao deixar o filme inconclusivo.  A personagem principal consegue se salvar ou sucumbe ao poderoso vulcão?  Particularmente, tenho minha versão para seu fim.  São detalhes como esses que fazem a grande diferença entre uma obra-de-arte e um bom filme.

Durante as filmagens, Ingrid e Rossellini se apaixonaram e ela engravidou.  Na época, ambos eram casados.  No mês da estréia do filme, ela deu à luz Roberto e, uma semana depois, divorciou-se do Dr. Lindström e se casou com Rossellini no México.  Esse romance, fora do casamento, gerou um escândalo internacional.  Condenada pelos americanos, das manchetes dos jornais aos púlpitos das igrejas, Ingrid só retornou à Hollywood seis anos depois para arrasar com sua magnífica atuação em "Anastácia, a Princesa Esquecida", filme com o qual foi agraciada com seu 2º Oscar de Melhor Atriz.

CAA