Filmes por gênero

IMITAÇÃO DA VIDA (1959)

Imitation of life
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Ficha Técnica

Outros Títulos: Mirage de la vie (França)
Lo specchio della vita (Itália)
Imitación a la vida (Espanha)
Solange es Menschen gibt (Austria, Alemanha)
Den stora lögnen (Suécia)
Imitacja zycia (Polônia)
Lad andre kun dømme (Dinamarca)
Имитация жизни (União Soviética)
Pais: Estados Unidos
Gênero: Drama
Direção: Douglas Sirk
Roteiro: Allan Scott, Eleanore Griffin
Produção: Ross Hunter
Música Original: Frank Skinner, Henry Mancini
Direção Musical: Joseph Gershenson
Fotografia: Russell Metty
Edição: Milton Carruth
Direção de Arte: Alexander Golitzen, Richard Riedel
Figurino: Bill Thomas
Guarda-Roupa: Jean Louis
Maquiagem: Bud Westmore
Efeitos Sonoros: Leslie Carey, Joe Lapis
Efeitos Visuais: Monty Phillips
Nota: 8.4
Filme Assistido em: 1961

Elenco

Lana Turner Lora Meredith
John Gavin Steve Archer
Sandra Dee Susie, aos 16 anos
Susan Kohner Sarah Jane, aos 18 anos
Robert Alda Allen Loomis
Dan O'Herlihy David Edwards
Juanita Moore Annie Johnson
Karin Dicker Sarah Jane, aos 8 anos
Terry Burnham Susie, aos 6 anos
Lee Goodman Fotógrafo
Troy Donahue Frankie
Sandra Gould Annette
David Tomack Sr. McKenney
Joel Fluellen Ministro
Jack Weston Tom
Maida Severn Professora
Peg Shirley Fay
Mahalia Jackson Solista do Coro da Catedral
Paul Bradley Preston Mitchell
Napoleon Whiting Kenneth, mordomo de Lora
Nelson Leigh Médico
John McNamara Médico
Bess Flowers Geraldine Moore
Richard Collier McKinney
Elinor Donahue Amiga de Lora
Eddie Parker Policial no funeral

Prêmios

Prêmios Globo de Ouro, EUA

Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante (Susan Kohner)

Prêmios Laurel, USA

Prêmio Laurel de Ouro de Melhor Drama

Indicações

Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA

Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Susan Kohner)

Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Juanita Moore)

Prêmios Globo de Ouro, EUA

Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante (Juanita Moore)

Grêmio dos Diretores da América

Prêmio por Direção Excepcional (Douglas Sirk)

Prêmios Laurel, USA

Prêmio Laurel de Ouro de Melhor Fotografia a Cores (Russell Metty)

Prêmio Laurel de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante (Juanita Moore)

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Num ensolarado dia de verão de 1947, a aspirante à atriz, Lora Meredith, perde de vista sua pequenina filha, Susie, quando as duas se divertiam em Coney Island.  Ao procurá-la, ela encontra o fotógrafo Steve Archer tirando umas fotos de Susie e de uma outra garotinha, Sarah Jane, fazendo um castelo de areia na praia.

Nessa ocasião, conhece Annie Johnson, uma negra e mãe de Sarah Jane, à procura de um trabalho doméstico.  Ao tomar conhecimento que Annie não tem para onde ir com a filha, Lora aceita sua proposta de trabalhar para ela em troca de casa e comida.

Com Annie em casa, Lora passa a dispor de mais tempo para procurar cada agente da Broadway e alguns da Off Broadway, na esperança de conseguir ser escalada para alguma peça teatral.  As duas mulheres, além da relação de trabalho, tornam-se grandes amigas.  Suas respectivas filhas são, por outro lado, tratadas como se fossem irmãs.  Embora  tenha uma mãe negra, Sarah Jane é clara, podendo se passar por uma criança branca.  Seu maior problema é renegar sua raça, não perdoando sua mãe por ser negra.  Quando Susie a chama para brincar e lhe dá uma boneca negra, ela a recusa, ao mesmo tempo em que toma uma branca que se achava nas mãos da amiga, dizendo que quer brincar com uma boneca branca como ela.

Certa noite, após um dia cansativo, Lora é procurada por Steve que deseja entregar-lhe as fotos por ele tiradas das garotinhas nas areias de Coney Island, ocasião em que se mostra interessado nela.

Num dia chuvoso, quando Annie vai ao colégio da filha entregar-lhe uma capa e uma sobrinha, é mal recebida por uma professora, por achar que deve haver algum engano, já que o colégio é restrito a crianças brancas.  Sarah Jane tenta se esconder de sua mãe por trás de um caderno escolar mas, vista por esta, diz não reconhecê-la e sai correndo pelas ruas sem qualquer agasalho.

Como fotógrafo, Steve também tinha suas aspirações artísticas, mas termina desistindo delas e entrando para o ramo da publicidade.  Apaixonado por Lora, quando tenta fazer com que ela também esqueça seus sonhos e se case com ele, o telefone toca.  É um agente oferecendo-lhe um papel numa peça.  Não desejando sacrificar seus sonhos por nenhum homem, ela deixa Steve e vai apanhar o roteiro.

Quando o Natal se aproxima, Lora prepara-se para o teste no teatro, enquanto Annie conta para as crianças a história de Jesus, ocasião em que Sarah Jane pergunta se ele era branco como ela.

O teste de Lora não é bom, mas ela enfrenta o roteirista David Edwards, ao dizer-lhe que a culpa não foi dela e sim da cena por ele escrita, indigna de seu conhecido talento.  David fica admirado com sua atitude que, embora rude, demonstra ser ela uma pessoa segura de si, decidindo contratá-la.  Quando da estréia da peça na Broadway, Lora é a grande sensação.   Ela inicia um 'affair' com David e este escreve uma nova peça especialmente para ela.

Os anos se passam e Lora torna-se uma das mais bem pagas estrelas da Broadway.  Susie e Sarah Jane, já crescidas, vão para universidades diferentes, enquanto Annie continua fiel à sua patroa e amiga.  Pouco tempo depois, Sarah Jane deixa os estudos e vai tentar sua vida trabalhando como se fosse uma branca.

Quando Lora decide aceitar um trabalho oferecido por outro roteirista, David sente-se ofendido e a relação entre eles chega ao fim.  Algum tempo depois, Steve volta à vida de Lora, mantendo a esperança de vir a se casar com ela.  Durante um piquenique no campo, os dois demonstram o interesse de largarem suas carreiras para terem uma vida em comum.  Entretanto, ao retornar para casa, Lora recebe o telefonema de seu agente para atuar numa peça, talvez a melhor desde que fizera "Scarlet O'Hara".  Para Steve, fica claro que ela continua com as mesmas ambições.

Enquanto isso, Sarah Jane é esbofeteada por seu namorado, Frankie, quando este descobre que corre sangue negro nas veias dela, o que a torna ainda mais indignada com suas origens.  Por outro lado, ao descobrir uma caixa de fósforos com a propaganda de um Clube Noturno, num dos bolsos da capa da filha, Annie vai ao local onde encontra Sarah Jane, no palco, a dançar ao mesmo tempo em que dubla uma canção.  O gerente do Clube a despede ao saber que Annie é sua mãe.  Esta pede à filha que volte para casa, mas não é atendida.

Com a ajuda de Steve, descobrem que Sarah Jane está trabalhando como corista na Costa Oeste.  Annie viaja até Hollywood, na tentativa de trazer de volta sua filha.  No encontro que tem com a mesma, no entanto, esta lhe diz que não pretende voltar a vê-la e que, mesmo que venham a se encontrar casualmente na rua, passará por ela como se não a conhecesse.

Ao retornar de férias da Universidade e, durante uma ausência da mãe, Susie apaixona-se por Steve, fato que confessa à Annie, que se acha acamada desde que retornou de Hollywood, onde foi renegada por sua própria filha.  Na ocasião, toma conhecimento que Steve e sua mãe finalmente decidiram se casar, o que a deixa desolada.

Ao saber do ocorrido, Lora procura a filha e lhe diz que desistirá de Steve se ele for um motivo para separá-las, ao que Susie grita: "Mãe, deixe de representar!  Voltada para seu sucesso, você nunca teve tempo para mim.  Minha sorte é ter sempre Annie ao meu lado".

Em seu leito de morte, Annie pede à Lora que encontre e cuide de sua filha.  Seu funeral parece ser o evento social da temporada.  Na enorme catedral, para onde o corpo é levado, centenas de flores envolvem o caixão, enquanto a solista de um coro gospel canta "Trouble of the World".  Quando o corpo de Annie é conduzido para uma carruagem puxada a cavalo, Sarah Jane irrompe no local e, abraçando-se ao caixão, pede desculpas à mãe e lhe diz que nunca deixou de amá-la.  Lora vai ao seu encontro, quando a jovem lhe diz, chorando: "Dona Lora, eu matei minha mãe!".

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Comentários

Baseado num livro de Fannie Hurst, "Imitação da Vida" é um 'remake' da primeira adaptação dessa obra para o cinema, realizada em 1934 pelo cineasta John M. Stahl.  A presente versão, dirigida pelo veterano Douglas Sirk, é seu último trabalho nos Estados Unidos, antes de retornar ao seu País de origem, a Alemanha, onde realizaria três outros filmes antes de sua morte.


A versão de 1934 é mais fiel à obra de Hurst, já que tratava, como no livro, de uma magnata da panqueca e não de uma atriz da Broadway.  No mais, a exemplo da anterior, a trama gira em torno da relação entre duas mulheres, uma branca e outra negra, bem como, dos problemas que elas enfrentam com suas respectivas filhas, principalmente com Sarah Jane, filha de cor clara da negra Annie Johnson.

Sirk realiza um trabalho consistentemente bom, do início ao fim, no que é ajudado pela fotografia de Russell Metty e pela bela trilha sonora.  No final, Mahalia Jackson, uma das principais cantoras gospel dos Estados Unidos, canta "Trouble of the World" no funeral de Annie.

Quanto ao título do filme, "Imitação da Vida", não sei se tem a ver com a jovem Susie tentando imitar sua mãe ao se apaixonar pelo mesmo homem, ou a negra Sarah Jane tentando imitar o comportamento das jovens brancas, numa época em que a discriminação racial era muito forte nos Estados Unidos.

No elenco, embora realize um bom trabalho, Lana Turner não chega aos pés de Claudette Colbert, da versão de 1934.  No elenco coadjuvante, o maior destaque vai para Susan Kohner, no papel da complicada Sarah Jane, seguido pela ótima atuação de Juanita Moore.

CAA